História do Corpo e Lazer
História do Corpo e Lazer

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Palavra do Professor-Autor

Essa disciplina apresenta o estudo das relações do corpo e do lazer e suas implicações dentro do processo histórico de desenvolvimento da humanidade, e como a presença da manifestação corpórea e cultural foi importante para estabelecer conhecimentos acerca das diferentes possibilidades de construção do conhecimento, através do lazer, e por meio de sua intervenção cultural, política, econômica e social.

As reflexões e os registros históricos apresentam dados para que os profissionais de Educação Física se apropriem de um conhecimento específico, estudado e apresentado, para acompanhar melhor a disposição destas atividades por gênero, tornando a população brasileira mais ativa.

Observa-se, que as mulheres apresentam mais identidade com as práticas de academia, ginástica, caminhada, danças, exercícios aeróbios etc., e os homens atividades competitivas que envolvam a coletividade como os esportes, o futebol em evidência, por ser um esporte popular e de massa que sofre influência cultural muito forte em nosso país, mas percebemos a cada dia as ruas, os parques e bosques mais lotados por pessoas de ambos os sexos praticando atividades ao ar livre dentre elas as mais pontuadas, a caminhada e a corrida, isso se deve ao longo papel social que o corpo apresenta diante das sociedades.

O corpo precisa movimentar-se não só por aquisição de capacidades coordenativas e de qualidades físicas que o torne forte e saudável, mas porque a partir desse ‘‘movimento’’ o corpo promove interações cognitivas, motoras e afetivas-sociais, esta última com o potencial enorme de dar novos significados, expressões e representações corpóreas.

Diante disso, é possível propor uma compreensão das práticas de lazer como sendo, práticas capazes de oferecer experiências que possam gerar mudanças na própria realidade. “Ocupações” (ou até mesmo não ocupações) que contribuam para além do descanso e recuperação das energias, com vivências culturais mais amplas, reflexões e diálogo com outras culturas, pessoas, lugares e áreas de conhecimento; estimulando a construção de experiências que convidem a reflexões acerca da própria sociedade, buscando a compreensão, a resistência e a transformação.

Autor

Frutuoso Helder Gabaglia Rodrigues, Especialista em Treinamento Desportivo – INTA, Graduado em Educação Física – UVA, Mestrando em Ciências da Educação – UNISAL/UNIBAM.

Atualmente professor de Educação Física da Educar –SESC, com ênfase em Recreação Escolar, Psicomotricidade, Linguagem Corporal e Esportes Coletivos. Professor do Ensino Superior nos cursos de Educação Física e Pedagogia do Instituto de Estudos e Pesquisas Vale do Acaraú – IVA e do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR; Professor conteudista no trabalho de produção de material didático para o curso de Educação Física em Educação a Distância das Faculdades INTA.

Ambientação

Seja bem-vindo à disciplina...

Na sociedade contemporânea, se convive em um processo constante de estresse, efeito das atividades do cotidiano aumentando nas pessoas a busca de meios de liberar as tensões com o esporte por exemplo. A partir da necessidade de movimentar-se não só por aquisição de capacidades de coordenação e de qualidades física, mas para tornar-se saudável, por isso a partir desse “movimento” o corpo promove interações cognitivas, motoras e afetivo-sociais.

Uma das formas de liberar as tensões é praticando esporte, atividades livre e o lazer. A grande maioria das pessoas quando pensam em lazer, pensam em diversão, descanso, ou seja, atividades realizadas no tempo livre, após a execução das atividades profissionais.

Quando pensam em atividades físicas, pensam na prevenção de doenças metabólicas e manutenção da saúde e adquirir uma boa qualidade de vida. Baseado nessa realidade a educação tem que dar atenção ao corpo e corporeidade, então sugerimos que leia a obra Corpo e Educação: desafios e possibilidades, o autor traz uma relevante contribuição para professores e estudantes de todas as áreas.

FABRIN, F. de C. S.; NOBREGA, M. L. S. de; TODARO, M. de Á. (org.) Corpo e Educação – Desafios e possibilidades. Jundiaí: Paco Editorial, 2014.

Trocando ideias com os autores

Agora é momento de interagir com alguns autores.

Propomos a leitura de algumas obras.

Metodologia do ensino de Educação Física

Educação de corpo inteiro

Guia de Estudo

Após a leitura das obras, escolha uma e faça uma resenha.

Para um entendimento metodológico da profissão, sugerimos a leitura do livro: Metodologia do ensino de Educação Física, que propõe várias metodologias entendidas, como forma de se apropriar do conhecimento específico da Educação Física.

CASTELLANI FILHO, Lino et al: Metodologia do ensino de Educação Física. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2012.

Propomos também a leitura da obra: Educação de corpo inteiro, de João Batista Freire, o autor coloca a educação física como uma matéria semelhante às outras que compõem o currículo escolar. Para o teórico, o professor é acima de tudo um educador, que deve possuir uma visão clara e abrangente sobre o ensino. Ele traz uma visão pedagógica do movimento da criança na primeira e na segunda infância.

FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física, 5ª ed. São Paulo: Editora Scipione, 2009.

Problematizando

É com esta indagação, que traçamos o desafio de compreender os objetivos e competências deste módulo de ensino, refletindo sobre o processo de evolução da humanidade, do comportamento e manifestação corporal, como estes foram importante nas relações que as práticas corporais tiveram para reproduzir importantes significados da cultura corporal, como os jogos, a dança, as lutas e os esportes.

Apropriar-se da especificidade deste estudo é de competência do profissional de Educação Física, que está inserido em diferentes segmentos da sociedade promovendo o reconhecimento e potencialidade do movimento nas trocas de interações e aprendizagem acerca das práticas corporais.

Não basta entender sobre o processo de ensino aprendizagem teórico ou técnico de alguma modalidade esportiva ou um programa de treinamento fitness, é preciso ir além e mostrar ao praticante e a sociedade que além do benefício físico e bem estar, as atividades levam o indivíduo a uma abordagem global e a uma sensibilização sobre a manifestação de conhecimento, experiências e valores que o ato esportivo ou atividade física promove além das ações motoras.

Vamos analisar a seguinte situação:

Você professor de Educação Física, como poderá trabalhar com seus estudantes a relação do Corpo e do Lazer?

Guia de Estudo

Guia de Estudo

Baseado nessa situação, reflita e comente com seus colegas. Faça uma postagem na sala virtual.

Modelos de Corpo na História

1

Conhecimentos

  • Conhecer a importância do movimento do corpo na perspectiva de estabelecer relações em diferentes momentos da história da humanidade.
  • Habilidades

  • Relacionar os diferentes aspectos da cultura corporal e sua evolução para construção de conhecimentos promovendo relações sociais positivas.
  • Atitudes

  • Refletir sobre a importância da implantação e implementação de políticas públicas de educação, esporte e lazer.
  • Unidade 1

    A evolução do Corpo

    Na evolução da humanidade, assistimos a ação do corpo sobre o ambiente de forma a adaptar-se as transformações do mundo. O corpo se manifesta a partir da sua necessidade ao comportamento social. Desde os tempos remotos foi admirável a obrigação do movimento, assim como a reflexão sobre o corpo para a manutenção e existência da humanidade. Antes de uma forma inconsciente, o homem primitivo cuidava da manutenção de sua saúde e do seu corpo nas batalhas e aventuras enfrentadas em um ambiente escasso de alimentos, água e moradia, dotados de características nômades necessitavam caminhar, agachar-se, correr, saltar, nadar, escalar, lançar etc.

    Era visível o culto ao corpo na vida dos povos primitivos, pois as qualidades físicas significavam resistência, força, velocidade, coordenação ampla, ritmo e precisão em seus movimentos, eram importantes para garantir-lhes uma boa caça, estadia segura e fugir de ataques de predadores. Portanto, esta área de conhecimento faz alusão ao desenvolvimento da cultura corpórea e aparece em diferentes fases da história da humanidade sempre adaptando-se a uma necessidade social.

    O corpo é compreendido em três fases:

    1


    Princípio da eficácia

    2


    Princípio da propriedade

    3


    Princípio da identidade

    Princípio da eficácia:

    O corpo trabalha e responde às funções orgânicas, precisa mexer-se para interagir com o meio, as experiências do homem primitivo estão associadas à primeira fase do corpo.

    Princípio da propriedade:

    Diz respeito ao íntimo vinculado ao desejo, as angústias e as limitações que o corpo padece, uma aproximação com íntimo o “eu” de cada pessoa.

    Princípio da identidade:

    Tem a ver com as relações estereotipadas, onde cada um está inserido e com isso aprendemos com as trocas de experiências elucidadas pela presença e desenvolvimento da cultura corporal.

    Unidade 1

    O processo histórico da evolução do corpo alcançou a integração e passou a existir em função das qualidades físicas exigidas na Idade Média no final do século XV. O grande apego dado às qualidades físicas, constatadas nos registros dos alcunhados de cortesão, os cavaleiros que exibiam habilidade e destreza em suas atividades ocupacionais, fazendo menção a força e agilidade, com o passar do tempo no século XVI, surgem novas palavras para designar a velocidade, sem a necessidade de adjetivá-la, com a palavra agilidade ou a palavra leveza.

    A verdadeira insistência é dada à agilidade associada à força. Apenas estas duas qualidades são comentadas e sublinhadas. Apenas elas triunfam, quando as descrições são desenvolvidas e as hierarquias designadas: Henrique 11 é qualificado como "forte e ágil" (Bourdeille, 1822, Tomo 11, p. 277), Felipe mostra "força e agilidade" (Bourdeille, 1822, Tomo 11, p. 91), La Chateigneraie (em seu duelo contra Jarnac) possui "além da sua força uma grande agilidade" (Bourdeille, 1822, Tomo IV, p. 273). Henrique IV é "robusto e ágil", assim como os bascos com quem, quando criança, ele brincava (Palma-Cayet, 1838, 1.série, Tomo XII, p. 174). Aliás, as duas qualidades se completam, podendo, parcialmente, se compensar: evidente no caso de Brissaco, classificado como "fraco" na luta, mas tão habilidoso que "derrubava os maiores e os mais robustos" (BOURDEILLE, TOMO VI, p. 140).

    Diversas qualidades que se opõem, associam-se, compensam-se para compor o que se entende por um modelo novo: modelo que revela esta figura mais controlada do homem de corte, que agrega, à força do antigo cavaleiro com agilidade cada vez mais calculada e acentuada.

    A arte do cortesão fixou e definiu, assim, as qualidades físicas do corpo. Passado algum tempo, estudos vão apontar a existência de outra qualidade física, importante para o desenvolvimento humano, entende-se que existe toda uma ação neuromuscular dos músculos perante uma atividade em que se evita o desperdício de força evitando a fadiga muscular. Estudos fisiológicos, apontam uma qualidade física denominada velocidade, que no final do século XIX é mais incluída e analisada como característica condicionante e treinável, no estilo orgânico peculiar.

    É um relógio de precisão que se usa para medir fracções de tempo bastante pequenas.

    Com o advento do “relógio cronômetro” e esta característica física, a partir de sua funcionalidade, as coisas e os negócios tiveram tempo ordeiro e as pessoas eram controladas em suas atividades diárias, antes sem preocupação, passam a ter uma ordem cronológica de suas vidas. Constata-se, uma lenta astúcia do tempo cifrado e calculado nos gestos do dia a dia: aqueles do trabalho, aqueles do lazer, aqueles dos deslocamentos e aqueles dos transportes.

    A avaliação das distâncias muda com o fim da existência dos “terrores" na França, com a inovação, às maquinas, às locomotivas, às bicicletas e, logo mais, aos automóveis; uma maneira mais sistemática de calcular a relação entre a distância e o tempo; um estilo mais sistemático de associar o tempo à diferença entre os engenhos. Surge, assim, uma nova maneira de lidar com a compreensão da velocidade e do tempo: por exemplo, os guias ferroviários da metade do século distinguem a "pequena” e a "grande velocidade" para diferenciar os trens; ou seja, a maneira nova de exprimir a velocidade em km/hora, medida que se tornara padrão para auferir a velocidade de um veículo no fim do século.

    Unidade 1

    Sem dúvida é possível, portanto, falar sobre "modelos de corpo", mas com a condição de falar em vários registros de modelos, com a condição de estudá-Ios em campos bem circunscritos e, sobretudo, com a condição de saber desconfiar de nossa própria sensibilidade contemporânea.

    O corpo se relaciona constantemente dentro do processo histórico e a evolução social. Desde a Segunda Guerra Mundial, a prática da Educação Física nas escolas do Brasil, torna-se obrigatória apenas para os homens, na perspectiva de treinar os indivíduos com qualidades físicas consideráveis, para prestar serviço militar na eminência de conflitos de guerras com outras nações.

    Na década de 70, apresenta-se com uma característica higienista onde havia uma mínima preocupação com a saúde dos trabalhadores, para que se apresentassem “saudáveis” na perspectiva de garantir a mão de obra qualificada e mais produtiva, refletindo no crescimento e produção industrial.

    Na década de 90, a Educação Física sofre uma crise de identidade e obriga-se a prática da disciplina nas escolas em busca de novos talentos esportivos, que pudessem servir a nação sem um planejamento e aquisição de programas e políticas públicas voltadas para o pleno desenvolvimento do esporte junto à sociedade.

    Políticas Públicas e Educação

    O neoliberalismo afasta a intervenção do Estado em busca de programas ou projetos que viabilizem as políticas públicas voltadas para o esporte, mesmo diante de uma forte influência pregressa, percebe-se a importância de acompanhar as atividades físicas, esportivas e culturais, para garantir uma melhor qualidade de vida e desenvolvimento social para as pessoas e a educação passa a ser um segmento importante, para oportunizar as relações que contribuíram com o fortalecimento da cultura corporal.

    Unidade 1

    Com a crise econômica da década de 1970, surge o neoliberalismo, apoiado em Hayek e Milton Friedman. O Estado é responsável apenas por normas gerais e o mercado é capaz de promover a regulação do capital e do trabalho; menos Estado e mais mercado é a máxima. Na esfera da política educacional, o neoliberalismo anuncia que o Estado pode ser responsável por esse setor. A ampliação das oportunidades educacionais é considerada um dos fatores importantes para a redução das desigualdades. Quanto ao nível básico de ensino, os poderes públicos devem transferir ou dividir suas responsabilidades com o setor privado, como meio de estimular a competição e o aquecimento do mercado, enfraquecendo o monopólio estatal, diminuindo o corpo burocrático e a máquina administrativa.

    Os gastos públicos sabem da forte influência do neoliberalismo, onde o Estado aparece menos e o setor privado fica responsável pela oportunidade do esporte e do lazer, o que foge um pouco do princípio do lazer que é praticar atividades de cunho educativo e cultural nas horas espontâneas e livres em tempo ócio do trabalho e que promova o bem estar e até mesmo o descanso.

    Os modelos e as diferentes manifestações da cultura corporal demonstram relevante importância para a educação porque podem e devem ser inseridos em atividades que englobam os eixos temáticos da Educação Física como o jogo, a dança, o esporte, a ginástica e as lutas, além de diferentes atividades e programas de lazer que podem ser garantidos pela ação estatal, através das políticas públicas de lazer e esporte existente em nosso país.

    O corpo em suas diversas possibilidades de manifestação, apresenta-se como adaptável a diferentes atividades a nível orgânico e fisiológico capaz de reproduzir uma interação significativa, no que diz respeito à exploração de jogos, movimento gímnicos, dança e lutas temáticas que ao longo do tempo sistematizaram-se em diferentes segmentos da sociedade em escolas, projeto sociais, comunidades e instituições públicas e privadas, tornando-se áreas de estudo e pesquisa para os profissionais que militam com as práticas corporais na perspectiva educacional e do lazer.

    Lazer versus Tempo Livre

    2

    Conhecimentos

  • Conhecer a importância do movimento do corpo na perspectiva de estabelecer relações em diferentes momentos da história da humanidade.
  • Habilidades

  • Relacionar os diferentes aspectos da cultura corporal e sua evolução para construção de conhecimentos promovendo relações sociais positivas.
  • Atitudes

  • Refletir sobre a importância da implantação e implementação de políticas públicas de educação, esporte e lazer.
  • Unidade 2

    Lazer

    A origem etimológica da palavra lazer é proveniente do latim licere/licet, cuja existência está documentada em textos de autoria de Cícero. Este termo foi criado pela antiga civilização romana e significava:

    ser lícito, ser permitido, poder, ter o direito.

    Há uma tendência, em nossa realidade, de fazer uma associação direta do lazer com a questão do tempo livre. Marinho chegou, inclusive, a afirmar que licere significava, na Antiguidade, o direito a um tempo livre das obrigações cotidianas - direito concedido, pelos romanos, aos escravos. Essas “horas de lazer” foram denominadas licere, isto é, as horas disponíveis ao escravo para as suas atividades voluntárias. (TORRINHA, 1937; FERREIRA, [s.d.]; FARIA, 1967).

    Na Antiguidade, o tempo era entendido como algo natural, regido pelos movimentos da lua e do sol, do ciclo das estações, da alternância do dia e da noite. Dessa forma, antes da era moderna, a sociedade não apresentava a mesma necessidade de medir o tempo, como começamos a fazer, a partir da Revolução Industrial, e de separar o curso da vida em frações estanques. Essa noção padronizada e artificial do tempo foi desenvolvida, segundo Elias (1989), entre os séculos XVII e XVIII, modificando, radicalmente, a compreensão natural do tempo, até então dominante. O lazer é anunciado, como o futuro substituto do trabalho alienado e alienante, ou, o trabalho reformado deve reduzi-lo, cada vez mais, a um passatempo, mais ou menos, tedioso (ELIAS,1989).

    Para Dumazedier (1974):

    O lazer será o tempo de uma auto formação permanente e voluntária muito mais séria que a formação imposta pela escola em crise, e pela reforma da educação escolar. Para alguns, o lazer, que se situaria fora do campo da “necessidade”, seria o fundamento autônomo de uma teoria da liberdade. Para outros, ao contrário, seria por demais dependente para ser o fundamento de uma teoria qualquer. Celebrado como, a arma privilegiada de uma civilização que valorizaria a expressão da personalidade, é criticado por outros como o epifenômeno artificial de uma sociedade doente, seria incapaz de dar origem a uma civilização qualquer... (DUMAZEDIER, 1974 p. 12)

    Desde os primórdios, há evidências que o homem sempre procurou ocupar seu tempo “livre” com atividades prazerosas, a fabricação de utensílios não era só para meio utilitário e sim à produção artística inconsciente, mas que recrutava a inteligência e a criatividade, assim como as pinturas rupestres que representavam os momento diários, as vezes expressando e usando de uma comunicação que refletia às conquistas e emoções vivenciadas naquela época, os colares com detalhes caprichosos mostram a alegria da criação e o tempo dedicado, desinteressadamente. Para que haja lazer é preciso ter disponibilidade de tempo; além das horas de trabalho, sono e alimentação.

    Unidade 2

    O lazer engloba atividades que acontecem no período de tempo livre, que dedicamos a nós mesmos, depois de atendidas as necessidades da vida e as obrigações de trabalho. Também engloba a noção de estado de permissão e de liberdade, a ideia de repouso ou ocupação voluntária; ou seja, nos momentos de lazer podemos nos divertir, descansar, estudar, ou até mesmo, trabalhar. O significado de lazer inclui, portanto, as seguintes ideias: aproveitamento do tempo livre, estado de permissão, de disponibilidade, de liberdade; atividades produtoras de satisfação. (KOWALSKI, 2007).

    O Corpo e a Cultura

    Atualmente se busca tempo, e na percepção das pessoas, não há tempo para o lazer, mas a preferência por uma prática de lazer ou uma atividade física, depende muito da relação do ser humano com a cultura e o social, sobretudo com o tempo. A cultura conduz o indivíduo, a adaptar-se aos diferentes tipos de diversão na busca de oportunizar melhor qualidade de vida e bem- estar para sociedade que busca o tempo livre.

    As sociedades humanas desenvolvem meios de compensar tensões, como o estresse, resultante de um esforço contínuo de autocontrole como no caso de sociedades com nível de civilidade mais sedimentada e com restrições, relativamente estáveis, uniformes e moderadas, pode-se observar uma grande variedade de atividades recreativas com essa finalidade.

    Nessa situação, o esporte torna-se a opção, para atender os impulsos instintivos, afetivos e emocionais que as regras sociais restringem. E para mudar a situação se deve responder algumas questões como:

    Que tipo de atividades posso fazer? Existem atividades de lazer na minha cidade?

    Unidade 2

    O esporte é uma atividade que vem acompanhada de regras, mas pode ser praticada de forma recreativa, profissional ou até mesmo como uma forma de proporcionar boa qualidade de vida. As atividades são desempenhadas por dois ou mais participantes com a finalidade de se divertir, receber medalhas e/ou proporcionar uma melhor qualidade de vida. O esporte pode ser praticado pelo indivíduo, como lazer nas horas que está ocioso, mas também pode ser praticado almejando uma futura profissão, no entanto, pode provocar muitas emoções que levam uma energia emocional que reprima a ansiedade, medo e desespero.

    A convivência com outros e o êxito social do indivíduo, depende do alargamento de suas “couraças” psicológicas, que impedem manifestações espontâneas de desejos e sentimentos, dependendo, da probabilidade que o indivíduo tem de encontrar espaços e oportunidades, socialmente adequados, para liberar as tensões provocadas por esse esforço de autocontenção.

    Expressão que designa um modo de escapar de alguma situação turbulenta.

    O lazer parece ser entendido, como “válvula de escape” para as tensões do cotidiano, pois se observa que sua prática insere-se, em oposição ao universo das obrigações, no qual, sentimentos como o prazer e a descontração, só podem ser buscados no mesmo, sendo este tratado como uma esfera estanque.

    Nessa perspectiva, os campos de atuação dos indivíduos são neutralizados, com isso, surge a oportunidade para que a indústria do consumo reduza escolhas, diminuindo as possibilidades humanas. Com a necessidade de controlar o tempo associado ao movimento de transformar os hábitos, pode ser compreendido, como o conjunto de valores, costumes e regras de comportamentos inseridos no convívio social. Entretanto, é no contexto de uma progressiva pacificação das relações sociais e, em função da necessidade de desenvolver práticas culturais, que contribuam, de um lado, para um maior autocontrole e, de outro, para a geração e liberação de tensões.

    Nas palavras de Elias (1994):

    [...] para um afrouxamento controlado dos controles emocionais, estando associado a um processo de transformação sociocultural, que abrange simultaneamente, mudanças na estrutura da personalidade dos indivíduos, nos estilos de vida e nas relações sociais tecidas no âmbito do trabalho, do lazer, dos negócios, da política, etc. Mudanças que se processaram no interior da civilização ocidental os últimos quatro séculos, e que lentamente deram origem às competições civilizadas, difundindo com maior êxito, à medida que se desenvolveram modalidades de autocontrole e de liberação/produção controlada de tensões emocionais. (ELIAS, 1994 p. 94)

    Quando falamos que estamos com o tempo livre referimo-nos ao tempo livre do trabalho ocupacional. Procuramos distinguir tempo livre de ócio e assim podemos nos referenciar segundo a citação de Elias (1994), que todo tempo livre é aquele onde se abdica de funções do trabalho com o propósito de recrear, fazer aquilo que nos dá prazer, compensação pela atividade desenvolvida ao longo de uma carga horária de ocupação profissional e, sobretudo liberta-se da tensão que pode ser classificada em alguns setores como:

  • Trabalho privado e administrativo familiar
  • Descansos
  • Satisfação das necessidades biológicas
  • Sociabilidade
  • Atividades miniméticas ou de jogos
  • Trabalho privado e administrativo:

    Atividades domésticas e cuidado com os filhos etc. Essas atividades podem ser consideradas ócio.

    Descansos:

    Sentar-se, andar pela casa, não fazer nada, cantarolar e dormir. Essas atividades podem ser chamadas de ócio, por serem, distintos de muitas outras atividades recreativas, como o esporte e o teatro.

    Satisfação das necessidades biológicas:

    Todas as necessidades biológicas envolvidas em nosso tempo livre estão socialmente estruturadas: comer, beber, defecar, fazer amor e dormir, podendo converter-se em rotina.

    Sociabilidade:

    A esta classe pertencem às atividades que, todavia, guardam certa relação com o trabalho, tais como: visitar amigos e companheiros de trabalho, ou sair em viagem, em excursões, em companhia, ir ao bar, ao clube etc., com um fim em si mesmo. Os tipos de sociabilidade, como forma de passar o tempo livre, variam muito.

    Atividades miniméticas ou de jogos:

    A esta classe pertencem atividades, as quais mostram uma grande diversidade, tais como: atividades recreativas, como o teatro ou um concerto; as corridas de cavalo; o cinema; caçar; pescar; jogar baralho; escalar montanhas; dançar; assistir televisão, que são atividades de tempo livre com características de ócio.

    Unidade 2

    Podemos observar que as atividades de tempo livre são aquelas que desenvolvemos em sua maioria do desprendimento do tempo, mas nem todas podem classificar tempo de ócio, pois algumas atividades supracitadas são realizadas em tempo livre, mas nem todas envolvem ou produzem o prazer. Elemento importante para identificarmos uma atividade de lazer, pois provoca uma tensão, uma reação emocional positiva que envolve afinidade e interação social.

    No espectro do tempo livre, podem ser direcionadas para as rotinas do tempo livre, questões como: satisfação rotineira das necessidades biológicas e cuidado com o próprio corpo, rotinas da casa e da família, trabalho voluntário privado, não ocupacional, realizado principalmente para outros ou para si mesmo, atividades religiosas, atividades voluntárias. Já para as atividades recreativas, temos: atividades sociais, atividades miméticas ou de jogo, atividades recreativas fora da rotina e com frequência multifuncional.

    Podemos exemplificar os efeitos das atividades recreativas, como atividade de lazer, que em seu tempo de execução exime-se da responsabilidade ou obrigação que as colocam em uma classificação espontânea. Então, a atividade recreativa, como andar de bicicleta, não segue um padrão, cada um anda por onde desejar, na intensidade e no tempo que bem entender o que diferencia de outra oportunidade de lazer que é a prática de esportes, dependendo qual for, o indivíduo precisará de um coletivo, de equipamentos, local apropriado e segue-se um padrão convencional, então percebe-se a atuação e o envolvimento do corpo com as atividade de lazer que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento do ser.

    Os Espaços e a Cultura

    Os diferentes segmentos da sociedade são divididos por espaços. Espaços estes, semeados de conhecimentos, e que são transmitidos ou adquiridos de acordo com as relações estabelecidas, a casa, o trabalho, a rua e outros espaços são ocupados por diferentes pessoas e culturas que implicam em uma relação de trocas, o lazer aparece em forma comum para justificar o tempo livre conquistado ao longo do tempo, pelas lutas sindicais que oportuniza o indivíduo usufruir de atividades prazerosas e até mesmo trabalhar, então, a cultura torna-se importante para a escolha do tipo de lazer que cada membro da sociedade vai optar.

    O conceito de tempo e cultura, de acordo com o uso que fazemos, situa-se num alto nível de generalização e de síntese, que pressupõe um riquíssimo patrimônio social do saber, no que concerne aos métodos de mensuração das sequências temporais e às regularidades que elas apresentam.

    Quando pensamos em lazer, identificamos lugares, personagens, espaços e culturas, pois assim, quando optamos por uma atividade, seja ela recreativa, de descanso ou distração, precisamos interagir com algo ou com o meio, esta interação provoca uma troca de experiências vitais para sedimentação do conceito de cultura. As experiências de vida e a bagagem cultural fazem com que cada indivíduo seja diferente dos outros, e ao mesmo tempo semelhante culturalmente. A ideia de individualidade surge como um marco para a compreensão das diferenças existentes entre os diversos tipos de indivíduos.

    Unidade 2

    Na verdade, tempo e espaço constroem e são construídos pela sociedade. Todo sistema social existe a noção de tempo e de espaço. Essas situações se definem pelos rituais, cerimônias, solenidades e pelas festas. Essas ocasiões trazem uma mudança no modo, não só de medir o tempo, mas também, uma modificação no espaço.

    Em concordância com Daolio (1994), o corpo humano não é apenas uma entidade biológica, mas um organismo da cultura, cujas fronteiras são indefinidas. O corpo: um agente de cultura que traz impressas as marcas de um povo, de uma sociedade. A partir dos seus múltiplos significados, o corpo, ao longo da História, passa a se comunicar com o mundo por meio das relações estabelecidas, em diferentes contextos sociais. Em virtude desses significados e signos, ele passa a se expressar, interagindo com o mundo que o cerca, expressando-se de maneiras diferenciadas, de acordo com os estímulos intrínsecos ou extrínsecos, recebidos em seu cotidiano (ALMEIDA, 2002).

    O lazer foi construído pela cultura corporal, criada e sistematizada pelo homem, sendo atualizada e ressignificada. É um de seus papéis considerar e respeitar os princípios culturais de cada sociedade, para não tornar a atividade descontextualizada. Podemos referenciar o lazer, como um direito social, historicamente construído e, intimamente vinculado aos aspectos de tempo. Tempo que corresponde ao momento presente, não se limitando aos períodos institucionalizados; espaço-lugar que vai além do espaço físico, segundo a apropriação dos sujeitos; manifestações culturais, conteúdos vivenciados como influência da cultura e ações que são fundadas no lúdico (WERNECK, 2000).

    Gênero, Prática Física e Lazer

    3

    Conhecimentos

  • Conhecer a relação dos gêneros com as práticas de lazer e perceber as influências na aptidão prática de uma nova abordagem do lazer.
  • Habilidades

  • Distinguir a relação dos gêneros e as práticas de lazer numa nova abordagem.
  • Identificar os novos significados do fenômeno lazer e suas contribuições no âmbito cultural.
  • Atitudes

  • Agir com autoridade na prática do lazer no processo educativo.
  • Atuar com coerência e competência nas diversas abordagens que a prática do lazer insere-se, tornando-o veículo e objeto da educação.
  • Unidade 3

    Gênero e Atividade Física

    Com toda essa elucidação feita a respeito da história do corpo, quão importante foi durante todo processo histórico da humanidade e como a sua funcionalidade se apresenta diante das diversas possibilidades do lazer. No entanto, é um desafio que as universidades e os estudos, acerca, desta temática buscam conceitos para identificar quais atividades podem ser acompanhadas e desenvolvidas por um profissional de Educação Física, e como ele pode contribuir para uma abordagem crítica e construtiva para a prática de atividades físicas e do lazer.

    A herança deixada pela antiguidade que foi representada pela Europa Ocidental no fim da Idade Média e meados da Idade Moderna, demarca a forte influência pela preferência e adesão aos esportes da época, havendo até uma seletividade da classe social em relação ao tipo de esporte preferido. Nações utilizavam-se de práticas esportivas coletivas, para se destacarem, e essas práticas de atividades físicas passavam a ser utilizadas para expressar diferenças de status entre grupos. Elias (1994) destaca que, os costumes evoluíram juntamente com as mudanças na sociedade, tornando evidentes as associações entre a prática esportiva e o controle do corpo, como no caso do uso dos trajes de banho no século XIX.

    Na Inglaterra, apareceram as formas nitidamente modernas do esporte, o que Elias (1994), denomina como “a transformação dos passatempos em esportes”. Dunning & Maguire (1997), dividem estas transformações em duas grandes fases: a primeira no século XVIII, onde houve as mudanças de personalidade e dos hábitos das classes dominantes em que predominavam os grandes proprietários de terra, ocorreram ao mesmo tempo em que a “parlamentarização dos conflitos políticos”, o que levou esses grupos a adotar formas mais reguladas, mais controladas e civilizadas de caça, de corridas de cavalo, de boxe e de críquete; a segunda fase no século XIX quando houve a multiplicação dos ginásios e dos professores de ginástica, a crescente divulgação de manuais de medicina, que atraíam à atenção para as vantagens físicas e morais dos exercícios e o surgimento de formas mais regulamentadas de atletismo e alpinismo e, sobretudo, o aparecimento de jogos com bola como o futebol, o rugby, o hóquei sobre grama e o tênis.

    Saiba mais

    Críquete: Competição esportiva que consiste na disputa entre duas equipes de “jogadores, cujo propósito, consiste em bater e rebater uma bola pequena e maciça de madeira por entre balizas, num gramado”.

    Unidade 3

    Os registros apontam o aparecimento da mulher no meio esportivo apenas no século XIX, nas atividades de caminhada e andar de bicicleta, questionadas de forma preconceituosas pela sociedade local que assemelhavam algumas atividades esportivas, com as práticas escravarias e a mulher não possuía qualidades suficientes para tal atividade, considerando-se um ato de novidade imoral, uma degeneração ou até mesmo pecado.

    Os exercícios físicos, prescritos pelos médicos para as mulheres, eram voltados para a manutenção da saúde e prevenção de doenças, especificamente para a saúde reprodutiva e para o embelezamento do corpo feminino (Vertinsky, 1990), para os homens, a proposta era diferente. A prática de exercícios físicos era vista como uma importante fonte de experiência da validação da masculinidade (Lima, 1995; Messner, 1995), e a ser percebida como uma barreira contra a feminilização.

    No Brasil, a prática de atividades físicas e esportes, foram introduzidas pelos imigrantes e as oligarquias, refletindo o que era moda na Europa, e logo foi destacada a primeira regra de Educação Física, que colocavam as crianças de pequenos municípios da Corte à obrigatoriedade às aulas de educação física, pois eram avaliados e prescritos por orientação médica, assim, afastavam os adolescentes e jovens da masturbação e ao homossexualismo, considerados nocivos ao desenvolvimento e formação integral dos estudantes, além de afastar doenças e endemias que assolavam o Estado Imperial.

    Todas estas influências sobre as práticas de atividades físicas e do lazer trazidas de um tempo remoto indicam hoje, a prevalência do gênero masculino diante das atividades físicas e esportivas, um índice menor a frequência por parte das mulheres, justifica-se, por algumas ainda estarem limitadas as horas destinadas a cuidar do lar e dos filhos dispondo de pouco tempo livre para atividade de lazer, destinando este tempo a uma atividade que exija menos esforço físico, como ler um livro.

    Boltanski(1979), ressalta que as mulheres apresentam uma percepção mais sensível do corpo, social e historicamente criada pelo processo de medicalização, o que as deixa mais atentas do que os homens às “sensações doentias”. E é neste campo que a prática de atividades física ganha grande proporção por meio da busca do corpo delineado e controle do peso corporal, fenômeno observado, em sociedades mais desenvolvidas.

    Em comparação com qualquer outro período, as mulheres estão gastando muito mais tempo com o tratamento e a disciplina dos seus corpos, de modo que a prática de atividades física no tempo de lazer torna-se um “investimento social”, ligado também às oportunidades de exibição do corpo em público e não apenas à promoção da saúde (LABERGE, 1995).

    Unidade 3

    Quanto ao tipo de atividade física praticada, Elias (1994), enfatiza a ideia da competição esportiva, como um deslocamento de conflitos na vida coletiva para uma arena específica, marcada por uma simbolização do combate entre grupos ou indivíduos e por regras previamente estabelecidas. Laberge (1995) ressalta a presença de padrões de gênero no que se refere à prática esportiva por meio das relações entre posição social e múltiplas disposições de gênero no esporte, destacando que, embora, a prática de exercícios físicos e esportes tenha sido, historicamente de domínio masculino, é reconhecida a posição social de algumas categorias de esportes tipicamente masculinos e outras femininas.

    As reflexões e registros históricos apresentam dados para que os profissionais de Educação Física se apropriem de um conhecimento específico estudado e apresentado, para acompanhar melhor a disposição destas atividades por gênero, tornando a população brasileira mais ativa.

    As mulheres se identificam mais com as práticas de academia, ginástica, caminhada, danças, exercícios aeróbios etc., e os homens, atividades competitivas, que envolvam a coletividade como os esportes, o futebol por ser um esporte popular e de massa que sofre influência cultural muito forte em nosso país.

    Percebemos a cada dia as ruas, os parques e bosques lotados por pessoas de ambos os sexos praticando atividades ao ar livre, dentre elas as mais pontuadas, a caminhada e a corrida, isso se deve ao longo papel social que o corpo apresenta diante das sociedades, ele precisa movimentar-se não só por aquisição de capacidades coordenativas e de qualidades físicas que o torne forte e saudável, mas porque a partir desse “movimento” o corpo promove interações cognitivas, motoras e afetivas-sociais.

    Desta forma, destacamos o papel fundamental da literatura sobre o gênero, abordando a construção social do corpo para avaliar as atitudes de homens e mulheres diante da prática de atividades físicas, uma vez que estas são também concebidas como fenômeno social.

    O conceito de lazer é estudado por diferentes áreas de conhecimento como: a Sociologia, a Filosofia, a Antropologia, a Educação Física entre outras, onde podemos considerar a baixa produção de conhecimento relacionado ao tema. As principais Faculdades no Nordeste do Brasil apontam que o lazer e a recreação são áreas que estão em desenvolvimento a níveis de pesquisa epistemológica, que as disciplinas são trabalhadas mais em contexto didático teórico, sendo pouco trabalhado em suas intervenções práticas o que evidencia a necessidade de um estudo exploratório na formação profissional de Educação Física, para que este fenômeno seja melhor compreendido.

    Lazer, Escola e Educação Física

    Ao longo dos anos tem havido constantes debates em relação ao lazer e educação e são abordadas diferentes perspectivas; muitas delas foram expostas no texto de Marcassa (2004), em que são apresentadas diferentes visões, análises e compreensões a respeito do papel do lazer na sociedade.

    Unidade 3

    Dentro das questões que envolvem a função educativa do lazer, Requixa (1976), traz grandes contribuições ao apresentar as possibilidades de ação e inserção do mesmo, na organização social. Entende-se, que a participação social mais ampla dos indivíduos será facilitada pelas atividades de lazer, visto a disposição de integração na vida de grupos culturais e convívio social, além da motivação para a ampliação da imaginação criadora, e estímulo ao aprimoramento, à participação e a colaboração ao progresso social que elas oferecem. Essas práticas devem fornecer os meios para o indivíduo trabalhar sua criatividade, ampliar sua capacidade de fazer escolhas, e aprimorar sua percepção dos problemas.

    O autor enfatiza a importância do homem ser educado para experiências que desenvolvam maneiras de se viver, que busquem o equilíbrio necessário entre o trabalho e o lazer. Pois com o aprimoramento técnico e educativo, o indivíduo irá dispor de recursos pessoais e profissionais que trarão benefícios não só para ele, mas também para a sociedade.

    Diante disso, é possível propor uma compreensão das práticas de lazer como sendo práticas capazes de oferecer experiências que possam gerar mudanças na própria realidade. “Ocupações” (ou até mesmo não ocupações) que contribuam para além do descanso e recuperação das energias, com vivências culturais mais amplas, reflexões e diálogo com outras culturas, pessoas, lugares e áreas de conhecimento; estimulando a construção de experiências que convidem a reflexões acerca da própria sociedade, buscando a compreensão, a resistência e a transformação.

    Entendendo o lazer como uma dimensão da cultura, percebemos que ele perpassa as relações e os espaços sociais de diferentes formas e em distintas perspectivas e entendimentos. Não podemos desconsiderar o seu caráter educativo e sua presença transitando por questões, seja na educação formal ou nas inúmeras relações de subjetividade estabelecida em variados contextos. Muitas vezes são ignoradas suas contribuições para o desenvolvimento pessoal do indivíduo na busca por “qualidade de vida”, e como alternativa na luta contra os limites ao acesso a elementos da cultura, que são em sua maioria difundida apenas sob a lógica mercadológica, a partir do domínio dos interesses econômicos.

    Em uma sociedade que predomina a lógica da produção e do consumo rápido, acentuada pela rápida difusão e troca de informações, sobre influência das novas tecnologias, o lazer tende a ser um elemento fundamental na economia e nos discursos que envolvem a “movimentação econômica”. É notável a centralização e a tendência à valorização de alguns espaços específicos (teatros, cinemas dentre outros) como sendo centros consagrados para prática de lazer, restrito a uma pequena parcela da população e pouco democratizado em detrimento de outras práticas. Ou até mesmo a difusão de conteúdos pobres e fragmentados disseminados principalmente na TV e atualmente na internet, em uma constante repetição e reprodução de programas e estilos importados de outras culturas.

    Unidade 3

    O lazer, enquanto um “momento” que permita aos indivíduos o descanso, recuperação da força, do trabalho e alívio das tensões, algo que venha a promover o desenvolvimento pessoal e social, ou que apareça como um elemento efetivo nas estratégias econômicas modernas e circula nos discursos, nas práticas e ações frequentes nas relações sociais atuais o que traz a necessidade de pensar e buscar problematizar aspectos que envolvam a relação lazer e Educação.

    Educação pode ser entendida como um processo social fundamental para que se possa produzir a existência do indivíduo, ou seja, ela participa do processo de produção da cultura, crenças, valores, princípios e na negociação e trocas simbólicas, de bens e poderes que em conjunto constroem tipos de sociedades.

    Marcellino (2008), trata o aspecto educativo do lazer como um veículo e objeto da educação. Enquanto veículo de educação é preciso analisar suas possibilidades para o desenvolvimento pessoal, bem como compreendê-lo como um dos possíveis canais de atuação no plano cultural, sendo responsável e contribuinte nas mudanças do plano social.

    O autor destaca que para o desenvolvimento de atividades de lazer, seja no plano da produção ou do consumo não conformista e crítico, é necessário o aprendizado. O estímulo, o aprendizado, e a iniciação aos conteúdos culturais são essenciais, pois oferecem passagem de níveis simples para níveis complexos nas atividades de lazer, visando ultrapassar o conformismo. No entanto, a escola e instituições como a família, igreja, dentre outras, se tornam espaços privilegiados para atuação no âmbito da educação para o lazer. Um primeiro sentido da relação lazer e educação tinham como base à “recreação” escolar, com estratégias para a ocupação saudável e produtiva do tempo livre.

    No final do século XIX e primeira metade do século XX, a disciplina, a mente e o cultivo dos corpos de acordo com os padrões morais, higiênicos e físicos do pensamento hegemônico dominante era uma visão muito difundida principalmente na educação física escolar. Atualmente, algumas características remanescentes desse período são motivo de discussões, sobretudo quando se trata da relação lazer, escola e educação física, em que predomina um entendimento restrito de lazer associado apenas às atividades, resultando na reprodução de discursos e práticas que provocam posicionamentos diversos a respeito do lazer, seus “conteúdos culturais”, bem como sua abordagem na escola e na educação física escolar.

    Conteúdos Culturais versus Conteúdos da Educação Física

    Em relação aos interesses que os indivíduos têm ao optar por alguma prática do lazer, Dumazedier (1980), enumera cinco interesses centrais em sua classificação: físicos, artísticos, manuais, intelectuais e sociais. Tais interesses, são diferentes pela predominância em suas características fundamentais.

    Com o prazer de movimentar-se ou apreciar e assistir a movimentação corpórea os interesses físicos; a experiência estética e a expressão das artes em suas diferentes formas: cinema, dança, música, dentre outras. Os artistas: manipulam os objetos e os produtos; no exercício, no ato de raciocinar; nos interesses intelectuais e na busca do encontro entre as pessoas e a frequência na participação em espaços de convivência nos interesses sociais.

    Unidade 3

    Os interesses turísticos, que têm como características o conhecimento de outras localidades ou o reconhecimento do próprio espaço onde se vive, podem ser também considerados outra possibilidade dentro das experiências do lazer (CAMARGO, 1986).

    O “interesse virtual” vem sendo debatido na atualidade, tanto na condição de ferramenta, de trabalho como um espaço constantemente frequentado em busca de lazer (SCHWARTZ, 2004). Essa classificação foi pensada para que se pudesse operar melhor e compreender as diversas e distintas experiências de lazer. No entanto, devemos ter em conta suas restrições, como abordado por Melo (2004), visto que “a ação humana é complexa demais para caber em limites rígidos de categorias” (p.52), e nem sempre a escolha dos indivíduos é explicita ou conformada a um único interesse. No entanto, isso não significa que a classificação seja ineficaz, mas só deve ser utilizada como uma orientação aos estudos e que devemos ter claros seus limites.

    É importante destacar que os conteúdos culturais não são do lazer, mas sim da própria cultura, e neste sentido, envolvem inúmeras possibilidades, seja no lazer ou na educação física escolar. Jogos, brincadeiras, danças, esportes, lutas e ginásticas, são práticas culturais que podem ser vivenciadas tanto no tempo de lazer quanto dentro de uma organização e planejamento de conteúdos da educação física escolar. Entretanto, quando pensamos em lazer, nos conceitos operados dentro de estudos desenvolvidos e nessa classificação, pensamos em vivências possíveis dentro de um tempo liberado das obrigações, sejam elas sociais, familiares ou relacionadas ao trabalho produtivo, e que envolvam a livre escolha do indivíduo pela atividade.

    Pensar o espaço da educação física escolar trata-se então, de pensar um espaço que não foi estruturado como um espaço de lazer. A Educação Física integrada à proposta pedagógica da escola é componente curricular obrigatório da educação básica, tendo seus tempos e espaços definidos e organizados dentro de uma cultura escolar. Tratar a Educação Física Escolar como um espaço para vivência do lazer é entender o lazer de uma maneira restrita, e desconsiderar os esforços que buscaram dar a Educação Física ao longo de complexas disputas, um lugar de respeito e produção de conhecimentos.

    Isso não quer dizer que o lazer não deva perpassar os saberes organizados dentro da configuração da Educação Física Escolar, muito pelo contrário, as discussões e possibilidades de reflexão que se fará a partir dos conteúdos desenvolvidos são de fundamental importância para uma melhor compreensão da realidade e posicionamento diante da sociedade.

    O que acontece muitas vezes, como ressalta Marcellino (2008), é tratar o lazer como um elemento facilitador da aprendizagem escolar, permanecendo uma ideia de que o professor deve simplificar a aprendizagem ao máximo, fazendo dela uma brincadeira e uma diversão para que os estudantes “aprendam brincando”. Na Educação Física é comum encontrarmos em algumas aulas a justificativa para a falta de conteúdos, a utilização do lazer como conteúdo essencial para o exercício da liberdade dos estudantes. Não se trata de desconsiderar que a aprendizagem possa se beneficiar de elementos característicos do lazer, como a ludicidade, e a espontaneidade como forma de abordagem, mas nem por isso “o trabalho escolar deixará de ser trabalho para se constituir em lazer” (MARCELLINO, 2008, p.98).

    Unidade 3

    É importante ressaltar, que as considerações feitas à iniciação esportiva dentro dos conteúdos de Educação Física Escolar, também têm um trato do estudo relacionado ao lazer apesar de ser apresentado pedagogicamente de uma forma sistematizada, não se exime de práticas de leituras relacionadas a artigos, momentos de apreciação como assistir a um jogo, assistir a um filme relacionado à temática e praticar o próprio esporte refletindo nas ações discutidas e estudadas em salas de aula, dentre outras possibilidades.

    Nesse sentido, a Educação Física deve se preocupar com questões referentes ao lazer que atravessem os discursos e as práticas dentro da sistematização de seus conteúdos, que não reproduzam uma ideia do lazer como atividades facilitadoras da aprendizagem e que não restrinjam sua atuação apenas ligada aos conteúdos físicos esportivos, principalmente numa visão limitada acerca das perspectivas da educação física e do entendimento do próprio lazer. Mas, que avancem na sua discussão para as problematizações que envolvam a busca pelo desenvolvimento de trabalhos que possibilitem a ampliação na formação cultural dos estudantes sobre os conteúdos do lazer, visando o trato a os outros interesses, como por exemplo os interesses artísticos, manuais e turísticos.

    As preocupações poderão auxiliar no rompimento das associações limitadas e as compreensões restritas da participação e trânsito do lazer dentro dos conteúdos da Educação Física Escolar, auxiliando num processo de formação dinâmico e mais amplo dos indivíduos.

    Partindo de uma perspectiva que valorize a cultura corporal, em que o movimento é uma construção cultural, constituído de dimensões históricas, políticas e sociais, a Educação Física deve pensar na preeminente tarefa de educar para o lazer, visto que tal empreendimento estará em diálogo com o entendimento do movimento como forma de comunicação com o mundo, que é constituído de cultura e ao mesmo tempo possibilitado por ela, como já chamava a atenção de Bracht (1997).

    Nessa óptica, podemos caminhar para uma compreensão de que o movimento na Educação Física Escolar, deva ser um movimento social e cultural, que não se restrinja aos aspectos motores. Mais do que isso, que seja um movimento pensado a partir da dinâmica social e que ofereça condições para a própria transformação cultural (individual e que consequentemente influenciará a realidade social).

    Dialogando com Vago (1999), o reconhecimento da Educação Física como uma “entidade cultural” que, em um processo dinâmico, estabelece relações pacíficas ou conflituosas com outras culturas; política, religiosa, popular, dentre outras, estabelecer também, nesse âmbito, relações com a própria “cultura do lazer”.

    Explicando melhor com a pesquisa

    Caro estudante, sugerimos a leitura da monografia Educação Física Escolar – Sentido Educativo das Práticas Corporais no Ensino Fundamental 1º e 2º Ciclo. Onde o autor faz uma reflexão quanto as práticas corporais nas aulas de Educação Física. A pesquisa tem o objetivo de proporcionar novas propostas de ensino aos professores e atitudes educacionais para a Educação Física.

    Propomos a leitura do artigo Ócio, lazer e tempo livre na sociedade do consumo e do trabalho, os autores enfatizam o trabalho como uma atividade dominante. O domínio do trabalho na estruturação social passa a ser questionado e surgem ideias que colocam o ócio, o lazer e o tempo livre no papel de elementos estruturantes do novo contexto social.

    Leitura Obrigatória

    Sugerimos que leia a obra A Educação como Política Pública, a autora apresenta a educação como prática social que apresenta graves problemas por conta da inadequação das políticas educativas, que estão em ação. Reconhece que as mudanças sociais exigem novas demandas de formação e de conhecimento e destaca o impasse da atualidade.

    AZEVEDO, Janete M. Lins de. A educação como política pública. 3. ed. Campinas: Autores Associados, 2004.

    O livro Educação física cuida do corpo... e mente, foi o primeiro a teorizar as bases do pensamento crítico sobre a Educação Física, contemplando as questões sociais e a necessidade de um compromisso político dos profissionais da Educação Física com a realidade da sociedade brasileira no mundo contemporâneo.

    MEDINA, João Paulo Subirá. Educação física cuida do corpo... e mente, 23ª ed. Campinas: Papirus Editora, 2007.

    Estudo Guiado

    Após a leitura da obra, faça um texto identificando o papel do professor na atualidade e disponibilize no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA.

    Pesquisando com a Internet

    A partir do entendimento do lazer, enquanto necessidade humana, e como manifestação da cultura presente nas diversas esferas da sociedade, compreendemos que o lazer está presente em todas as esferas da sociedade. Dessa forma, um dos âmbitos no qual o profissional do lazer pode estar inserido é o da saúde. Propomos uma pesquisa baseada nas interfaces entre saúde, lazer e educação, apontando contribuições das práticas corporais na atuação do profissional do lazer e qualidade de vida enquanto educador.

    Estudo Guiado

    Após a sua pesquisa, faça uma reflexão sobre o assunto abordado e elabore um texto comentando com seus colegas na sala virtual.

    Saiba Mais

    Sugerimos a leitura da entrevista da Revista Nova Escola, com o professor Marcos Neira, sobre O Papel da Educação Física nas Escolas. O especialista da Universidade de São Paulo-USP, enfatiza que de todas as disciplinas, a que mais sofreu transformações foi a Educação Física. Nessa entrevista ele aborda quais foram às principais transformações e atualmente, qual o objetivo da Educação Física Escolar. Vale à pena conferir!

    Vendo com os olhos de ver

    Sugerimos que assista ao vídeo Corpo e movimento na Educação Infantil, com Marco Santoro, doutor em Educação Física. Ele fala que alguns não entendem o corpo como processo educacional, e que o conhecimento não tem participação corporal, geralmente é estático, e explica formas de como trabalhar a Educação Física com crianças.

    Propomos também que assista ao vídeo Educação Física para além do esporte, que trata da necessidade que o estudante possui de se identificar com as aulas de Educação Física. Para isso, é dever do professor, diversificar sua prática, sua didática de ensino. O diálogo entre essas duas necessidades possibilitam um aprendizado mais prazeroso para o estudante e uma satisfação ao profissional. E essa mutualidade do ensino, servirá tanto para a escola como para a sociedade.

    Guia de Estudo

    Após assistir os vídeos escolha um e faça um comentário argumentativo.

    Revisando

    Nesta disciplina, você pode verificar que as reflexões e registros históricos, apresentam dados para que os profissionais de Educação Física se apropriem de um conhecimento específico estudado e apresentado, para acompanhar melhor a disposição destas atividades por gênero, tornando a população brasileira mais ativa.

    Compreendemos a apresentação do corpo em três fases: primeira é a do princípio da eficácia, onde o corpo trabalha e responde as funções orgânicas, precisa mexer-se para interagir com o meio, as experiências que o homem primitivo realizou estão associadas a esta primeira faceta que classifica o corpo. A segunda é a do princípio da propriedade que diz respeito ao íntimo dos desejos, das angústias e das limitações que o corpo sofre. Uma aproximação íntima com o “eu” de cada pessoa. A terceira fase trata do princípio da identidade, que muito tem a ver com as relações estereotipadas com o meio onde cada um de nós estamos inseridos e aprendemos com as trocas de experiências elucidadas pela presença e desenvolvimento da cultura corporal.

    Quando pensamos em lazer identificamos lugares, personagens, espaços e culturas, pois assim, quando optamos por uma atividade seja ela de descanso, desenvolvimento ou diversão, precisamos interagir com algo ou com o meio, esta interação provoca uma troca de experiências vitais para sedimentação do conceito de cultura. As experiências de vida e a bagagem cultural fazem com que cada indivíduo seja diferente dos outros, e ao mesmo tempo semelhante culturalmente. A ideia de individualidade surge como um marco para a compreensão das diferenças existentes entre os diversos tipos humanos. Na verdade, tempo e espaço constroem e são construídos pela sociedade. Não há sistema social em que inexista a noção de tempo e de espaço. Essas situações se definem pelos rituais, cerimônias, solenidades e pelas festas. Essas ocasiões trazem uma mudança no modo, não só de medir o tempo, mas também, uma modificação no espaço.

    É possível propor uma compreensão das práticas de lazer como sendo práticas capazes de oferecer experiências que possam gerar mudanças na própria realidade. “Ocupações” (ou até mesmo não ocupações) que contribuam para além do descanso e recuperação das energias, com vivências culturais mais amplas, reflexões e diálogo com outras culturas, pessoas, lugares e áreas de conhecimento; estimulando a construção de experiências que convidem a reflexões acerca da própria sociedade, buscando a compreensão, a resistência e a transformação.

    Autoavaliação

    1. Você consegue identificar as implicações do corpo ou das manifestações da cultura corporal dentro do processo histórico da humanidade? Cite-as.
    2. Dentro da sociedade contemporânea, como se organiza o tempo livre para o lazer, e quais são as principais características desta prática?
    3. Sobre a contribuição da Educação Física Escolar para o lazer, como você compreende essa proposta de “desenvolvimento”?

    Bibliografia

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    REVISTA NOVA ESCOLA. Entrevista com Marcos Neira sobre o papel da Educação Física nas Escolas, agosto 2009. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/vez-formar-atletas-analisar-cultura-corporal-487620.shtml

    Vídeos

    Corpo e Movimento na Educação Física Infantil (22 minutos e 41 segundos).
    Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TC3RpoTFb1w

    Educação Física para além do Esporte. (19 minutos).
    Disponível em:
    https://www.youtube.com/watch?v=oVU3wT5dff0

    Créditos

    Diretor Presidente das Faculdades INTA

    • Dr. Oscar Rodrigues Júnior

    Pró-Diretor de Inovação Pedagógica

    • Prof. PHD Doutor João José Saraiva da Fonseca

    Coordenadora Pedagógica e de Avaliação

    • Profª. Sonia Henrique Pereira da Fonseca

    Professor conteudista

    • Rita de Cássia Marques Costa
    • Profª. Sonia Henrique Pereira da Fonseca

    Assessoria Pedagógica

    • Sonia Henrique Pereira da Fonseca
    • Evaneide Dourado Martins
    • Juliany Simplício Camelo

    Revisora de Português

    • Anaísa Alves de Moura

    Diagramador

    • José Edwalcyr Santos

    Diagramador Web

    • Luiz Henrique Barbosa Lima

    Analista de Tecnologia Educacional

    • Juliany Simplicio Camelo

    Produção Audiovisual

    Editor

    • Francisco Sidney Souza de Almeida

    Operador de Câmera/ Iluminador/Operador e áudio

    • José Antônio Castro Braga

    Núcleo de Tecnologia da Informação Faculdades INTA

    • Desenvolvimento de Material Didático para a EAD e Objetos de Aprendizagem para Ensino Presencial

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